O Papa morreu, e agora todos os cardeais da Igreja Católica precisam se reunir no Vaticano para escolher quem ocupará o cargo. Essa é a sinopse do filme e, de fato, resume bem o enredo. Não parece muito atraente, certo? Foi o que eu pensei também. Mas fico muito feliz em dizer que estava errada! Assisti ao filme sem muitas expectativas e ele acabou se tornando um dos meus favoritos entre os indicados ao Oscar. Só não afirmo que é o favorito porque ainda não assisti a todos.
Esse filme definitivamente não está recebendo a atenção que merece, pelo menos não do público geral. Além de oito indicações ao Oscar, ele é um dos mais indicados no Critics Choice Awards, concorrendo em onze categorias, além de ter doze indicações no BAFTA Awards (British Academy of Film and Television Arts). Então, vamos nos aprofundar um pouco mais nessa história e na produção por trás dela!

O que deixa o filme interessante?
De fato, o enredo do filme é centrado na Igreja Católica, mas não se engane: ele não é um filme religioso! É, sobretudo, um filme sobre política e diferenças de mentalidade. O contexto é a eleição de um novo Papa, mas a trama poderia ser sobre qualquer outro tipo de eleição. O filme trata de valores, princípios e caráter mais do que de crenças religiosas em si.
Apesar da premissa aparentemente simples, o filme consegue prender a atenção do espectador ao construir tensão durante as eleições, introduzir reviravoltas e adicionar novas informações ao longo da história, evitando que o ritmo fique massante. O final não é completamente imprevisível, mas também não é óbvio. É difícil que alguém consiga prever todos os detalhes do desfecho, e essa imprevisibilidade é um dos fatores que me fizeram gostar tanto desse filme. Eu adoro quando começo um filme sem saber exatamente como ele vai terminar, e aqui o desenvolvimento é repleto de surpresas. A narrativa nos faz torcer pelos personagens, enquanto as informações são entregues aos poucos. Muitas vezes nós não recebemos a informação no mesmo momento que o protagonista. Em diversas cenas, o Cardeal Lawrence (Ralph Fiennes) está prestes a descobrir algo importante, e o filme corta para sua reação, aumentando a curiosidade do espectador. Isso nos faz sentir parte da história, e não apenas assistindo a ela de fora.
O elenco também merece destaque, com performances excepcionais de Ralph Fiennes, Stanley Tucci e Isabella Rossellini. Mesmo com menos de 15 minutos de tela, Rossellini foi indicada ao Oscar, ao BAFTA e ao Critics Choice Awards como Melhor Atriz Coadjuvante, concorrendo com nomes como Ariana Grande e Zoe Saldaña, que tiveram tempos de tela de 80 e 60 minutos, respectivamente. Isso demonstra a qualidade do seu trabalho. Além disso, o filme está indicado a Melhor Elenco no BAFTA e no Critics Choice Awards.
A produção também se destaca tecnicamente, com uma fotografia impressionante e um design de produção grandioso. As gravações ocorreram em Roma, e os cenários recriaram fielmente a Capela Sistina e a Casa Santa Marta, onde se passa a maior parte da história. Os figurinos e a caracterização dos personagens chamam atenção, e a trilha sonora contribui significativamente para a atmosfera de tensão e segredos.

Então, o filme não tem pontos negativos?
Tem sim! A caracterização, que eu achei maravilhosa, também me deixou um pouco confusa no começo. Como todos os personagens são cardeais e usam trajes similares, é difícil distingui-los nas primeiras cenas. Com o passar do tempo, isso vai se tornando mais claro.
Além disso, o filme apresenta um grande número de personagens, todos candidatos ao cargo mais importante da Igreja Católica, mas senti que faltou um aprofundamento maior na história de cada um. Todos têm um certo destaque ao longo da trama, mas não o suficiente para conhecê-los de verdade. Inclusive, o próprio protagonista, Cardeal Lawrence, poderia ter sido mais explorado.
Por fim, algumas cenas poderiam ter sido mais curtas. Em certos momentos, shots sem diálogos foram longos demais, tornando o ritmo do filme um pouco lento. Isso pode fazer com que alguns espectadores percam um pouco a atenção ou sintam que a narrativa está se arrastando. No entanto, esses detalhes não comprometem a história em si.

Afinal, o que exatamente é a Conclave?
Conclave é justamente esse ritual que acontece depois que todo Papa morre, unindo todos os cardeais para eleger um novo papa. Como todo esse processo acontece de fato é um mistério, isso porque os cardeais entram em isolamento no Vaticano até que acabe Conclave, a única coisa que o público vê é uma fumaça saindo da chaminé da Capela Sistina que indica o resultado de cada votação – fumaça preta quando não chegaram num consenso e branca quando um papa é eleito e a conclave é encerrada. O sistema de conclave foi estabelecido em 1274, e desde então ele foi realizado 110 vezes, sendo a última em 2013, que elegeu o papa atual, Papa Francisco. Nesse contexto, o filme se baseia em fatos conhecidos como o isolamento dos cardeais, a votação em cédulas de papel e a sinalização por fumaça, mas como não há relatos de como realmente acontece lá dentro, todos as personagens e suas tramas são fictícias, apesar de na vida real também ter uma separação entre grupos mais conservadores e grupos mais liberais.
Agora, falando sobre a produção
O filme britânico é uma adaptação do livro de mesmo nome de 2016 e contou com a participação do autor, Robert Harris, na elaboração do roteiro e na produção. Com um orçamento de aproximadamente US$20 milhões, foi produzido pela FilmNation Entertainment (que também produziu Anora, outro concorrente ao Oscar) em parceria com a House Productions e a Indian Paintbrush Productions. As gravações ocorreram no estúdio Cinecittà, em Roma. Como é proibido gravar ou até mesmo tirar fotos na Capela Sistina e na Casa de Santa Marta, os produtores tiveram que construir réplicas detalhadas desses espaços, fazendo isso num tempo recorde de dez semanas, sob a supervisão da diretora de arte Suzie Davies – realmente encarnou Michelangelo*.*
Dirigido por Edward Berger (o mesmo diretor de Nada de Novo no Front), o filme é protagonizado por Ralph Fiennes, Stanley Tucci, Isabella Rossellini, Carlos Diehz e Sergio Castellitto e com a trilha sonora do alemão Volker Bertelmanns – que trabalhou com Berger em Nada de Novo no Front. As **filmagens ocorreram entre janeiro e março de 2023, e a estreia mundial aconteceu no Festival de Cinema de Telluride em 30 de agosto de 2024. No Brasil, o filme chegou aos cinemas em 23 de janeiro de 2025 e, até o momento, já arrecadou aproximadamente US$90 milhões em bilheteria.
O filme ainda está em cartaz e vale muito a pena conferir!
Referências
https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000125980/
https://www.imdb.com/pt/title/tt20215234/?reasonForLanguagePrompt=browser_header_mismatch
https://www.filmnation.com/about
