Nos últimos dias, “Anora” se destacou, não em uma, mas em quatro premiações importantes, consolidando-se como um forte candidato ao Oscar. O filme venceu Melhor Filme no Critics Choice Awards, Melhor Direção no DGA Awards (prêmio do Sindicato dos Diretores), Melhor Produção no PGA Awards (Sindicato dos Produtores), ou seja, a principal categoria de cada premiação. Além de Melhor Atriz no BAFTA Awards (Academia Britânica de Artes de Cinema e Televisão). Com essa sequência de prêmios, é impossível ignorar a atenção que a obra está atraindo dos membros da Academia.
Do que se trata o filme?
“Anora” é uma produção independente, que conta a história de Ani – apelido de Anora –, uma profissional do sexo que, impulsivamente, se casa com o herdeiro de uma oligarquia russa. No entanto, a família do rapaz não recebe bem a notícia e fará de tudo para separar o casal.

A sinopse não faz justiça ao filme
Fui assistir ao filme sem muitas expectativas e sem saber exatamente o que esperar, mas ele entrega muito mais do que aparenta no trailer. Apesar da profissão da protagonista e de algumas cenas mais explícitas, “Anora” é um filme leve, divertido e dinâmico, com um elenco excepcional. Ele passa uma energia parecida com “Se Beber, Não Case!”, mas menos forçado, sem exageros, com situações muito mais orgânicas e diálogos naturais – e naturalmente caóticos.
O que se destaca no filme?
O elenco foi um dos grandes acertos da produção. Todos os atores se encaixaram perfeitamente em seus papéis, mas destaco especialmente Mikey Madison, que interpreta Anora, e Yura Borisov, que vive Igor. A química entre eles é excelente, e Borisov tem um timing cômico impecável, tornando o filme ainda mais envolvente.
A produção também impressiona, especialmente considerando seu orçamento de apenas US$6 milhões – um “micro orçamento” para os padrões de Hollywood, onde filmes desse gênero costumam custar entre US$20 e US$25 milhões. Com uma fotografia belíssima e uma edição muito bem trabalhada, o filme consegue contar sua história de forma envolvente e cativante.

O que não funcionou tão bem?
Algumas cenas poderiam ser mais curtas. O longa tem 149 minutos (2h19min), mas poderia facilmente ter menos de duas horas. Apesar do ritmo envolvente e dos diálogos bem construídos, algumas partes se tornaram redundantes. A história do filme como um todo acontece num curto período de tempo, e não tem tantos detalhes assim, de modo que, na minha opinião, a duração do filme seja muito grande pra quantidade de informação que ele passa.
Outro ponto que me incomodou foi a falta de aprofundamento nos personagens. Vanya (Mark Eydelshteyn), por exemplo, é apresentado como filho de um dos homens mais poderosos da Rússia, mas não há maiores explicações sobre seu contexto. Da mesma forma, sabemos que Anora é uma profissional do sexo, mas nada além disso é explorado sobre sua vida. Essa falta de informações não prejudica diretamente a trama, mas poderia enriquecer ainda mais a história.
Um dos favoritos ao Oscar?
Com as recentes vitórias no Critics Choice, DGA, PGA e BAFTA, “Anora” ganha força na corrida pelo Oscar. O filme concorre em seis categorias:
- Melhor Atriz (Mikey Madison)
- Melhor Ator Coadjuvante (Yura Borisov)
- Melhor Direção (Sean Baker)
- Melhor Edição (Sean Baker)
- Melhor Roteiro Original (Sean Baker)
- Melhor Filme

Um pouco sobre a produção
Por ser um filme independente, “Anora” teve um orçamento consideravelmente pequeno. Foi escrito, dirigido, produzido e editado por Sean Baker, cineasta conhecido por priorizar atores não profissionais, locações reais e uma estética documental. Este foi o primeiro filme de Baker a alcançar reconhecimento internacional, conquistando a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2024.
A produção contou com Alex Coco, Samantha Quan e os estúdios FilmNation Entertainment – mesmo estúdio de “Conclave” – e Cre Film. As gravações ocorreram no estado de Nova Iorque em 2023. O filme arrecadou quase US$40 milhões em bilheteria mundial, podendo ser considerado um grande sucesso de bilheteria, com um retorno sobre investimento (ROI) superior a 3, ou seja, sua bilheteria foi mais que três vezes o valor de seu orçamento.
Com todo esse reconhecimento e uma campanha de premiações bem-sucedida, “Anora” se consolida como um dos favoritos ao Oscar. Resta saber se a Academia seguirá a tendência das premiações recentes.
Referências
https://newinbarreiro.nit.pt/cultura/anora-o-filme-favorito-aos-oscares-ja-chegou-ao-streaming/
