O primeiro dos três filmes da Marvel programados para 2025, e o primeiro filme do Capitão América sem Steve Rogers, estreou nos cinemas no dia 14 de fevereiro e está superando as expectativas de bilheteria. Apesar de não ter agradado muito os críticos, o filme está sendo bem avaliado pelo público, com uma nota superior à de Capitão América: O Primeiro Vingador no Rotten Tomatoes, um dos principais sites de avaliação de filmes e séries. Mas por que essa diferença tão grande entre a avaliação da crítica (49% – rotten) e a avaliação do público (80% – fresh)?

Ele mantém o nível dos outros filmes “Capitão América”?
O filme segue a tradicional jornada do herói e consegue manter a imagem do Capitão América — agora representado por Sam Wilson (Anthony Mackie), desde o final da série Falcão e o Soldado Invernal — como o queridinho dos Estados Unidos. Ele é o tradicional herói americano, com valores muito fortes, que desafia o governo dos Estados Unidos, representado pelo recém-eleito Presidente Thaddeus “Thunderbolt” Ross (Harrison Ford), para lutar pelo que é certo. A trama explora o questionamento de Sam sobre se está fazendo a coisa certa e se é bom o suficiente, para no final derrotar o vilão. Ou seja, a fórmula do sucesso comercial, principalmente para o público americano.
O filme tem um enredo sólido, sem pontas soltas e com uma narrativa orgânica, mas o vilão acabou sendo muito fraco. Ele é apresentado como uma pessoa superinteligente que consegue calcular todas as probabilidades e desenvolver novas tecnologias, mas não foi explorado o suficiente. Apesar da jornada do herói clara e sólida, o clímax do filme deixou a desejar.
Os pontos fortes do filme foram os efeitos visuais, o figurino e o elenco. Os efeitos visuais computadorizados, apesar de não serem perfeitos, estão muito melhores do que os dos últimos filmes da Marvel, como As Marvels, Thor: Amor e Trovão e Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania. O Hulk Vermelho está muito bem feito, assim como as cenas de luta e as tecnologias da armadura do Sam. Além disso, o filme usou proporcionalmente mais efeitos práticos em comparação a filmes anteriores do estúdio, o que deu um resultado muito bom. Eu particularmente prefiro efeitos práticos a efeitos computadorizados, e vou defender isso até o fim dos tempos — então acho que esse foi um grande acerto do filme.
Acima de tudo, preciso exaltar Anthony Mackie e Harrison Ford, que foram sensacionais. Admito que já sou muito fã deles, então talvez haja um pequeno viés da minha parte. Mackie conseguiu lindamente seguir com o legado do Capitão América sem apagar o que Steve Rogers fez, ao mesmo tempo que mostrou as fraquezas e receios do personagem em relação ao novo cargo e ao medo de não estar à altura do amigo — tudo isso com humor e carisma que, na minha opinião, só ele tem. Já Harrison Ford foi uma excelente substituição para Ross, anteriormente interpretado por William Hurt, que faleceu em março de 2022. Ford, que já faz parte de grandes franquias da Disney como Star Wars e Indiana Jones, aceitou o papel sem nem ler o roteiro, afirmando que já tinha visto atores o suficiente se divertirem trabalhando em filmes da Marvel. Sua atuação foi realmente muito boa — também, não tem como esperar menos dele, né? — e a dinâmica entre ele e Mackie foi sensacional.
Gostei também da adição de Joaquin Torres (Danny Ramirez) como o novo Falcão e da presença, mesmo que breve, de Giancarlo Esposito, como Coral, no filme.

O enredo do filme é um pouco fraco
Apesar de um elenco incrível, efeitos especiais bons, diálogos bem construídos e dinâmicas entre os personagens envolventes, o vilão do filme é bem fraco, não consegue gerar tensão no espectador e não há um grande combate entre o Capitão e o vilão no final do filme. O vilão em si nem chega a ser derrotado por Sam — ele simplesmente se entrega. Seu “superpoder” é sua inteligência, que usa para manipular outras pessoas a lutarem por ele, mas não há aquele enfrentamento esperado no clímax.
Por causa do enredo não ser tão envolvente, não posso dizer que esse filme é extraordinário ou que eu teria vontade de assistir repetidamente, mas também não é um filme ruim. Como meu amigo definiu — e eu não conseguiria descrever melhor —, ele é um filme de sessão da tarde: você não vai colocar para assistir intencionalmente, mas se estiver passando na TV, assiste sem problemas.

Um pouco sobre a produção
O filme teve um orçamento anunciado de US$180 milhões, mas há rumores de que o valor real foi próximo de US$300 milhões. Isso aconteceu por inúmeros motivos, como a necessidade de regravar várias cenas devido à falta de um roteiro totalmente estruturado, alterações na história ao longo da produção e a adição tardia de personagens, como Coral (Giancarlo Esposito). Além disso, houve mudanças estéticas nos figurinos, principalmente na armadura do Sam, que passou de predominantemente branca para azul-marinho, mais semelhante aos quadrinhos.
Outro fator que contribuiu para o alto orçamento foi o investimento em efeitos especiais computadorizados (CGI), que, convenhamos, teve um ótimo resultado. A Marvel se empenhou para subir o nível do CGI, investindo mais dinheiro e, principalmente, tempo para o desenvolvimento dos efeitos. Eles adotaram a estratégia de priorizar efeitos práticos, utilizando CGI apenas como complemento, o que resultou em menos telas verdes e mais gravações em locações reais.
As filmagens ocorreram entre março e junho de 2023, majoritariamente em Atlanta, Geórgia, no Trilith Studios — onde muitos filmes da Marvel são gravados —, com algumas cenas em Washington D.C., incluindo uma no parque das cerejeiras, tradicional ponto turístico da cidade.
O roteiro foi escrito por Malcolm Spellman e Dalan Musson, os mesmos roteiristas de O Falcão e o Soldado Invernal, e a direção ficou a cargo de Julius Onah, em sua estreia no Universo Cinematográfico da Marvel.
Curiosamente, o título original do filme era Capitão América: Nova Ordem Mundial, mas foi alterado devido ao contexto político global atual e ao receio de perder audiência por causa disso. Surpreendentemente, a bilheteria do filme está acima da esperada, atingindo US$300 milhões em apenas duas semanas.
O filme ainda está em cartaz e vale a pena conferir!
Referências
https://www.rottentomatoes.com/m/captain_america_brave_new_world
