Eu assisti neste sábado, dia 8, ao primeiro episódio da terceira temporada de A Roda do Tempo (The Wheel of Time), e não vejo a hora de ver o resto. A série é uma adaptação da saga de livros de fantasia de mesmo nome, escrita por Robert Jordan e finalizada por Brandon Sanderson. Criada para televisão por Rafe Lee Judkins, a história acompanha cinco jovens de uma pequena vila chamada Dois Rios (Two Rivers) que embarcam em uma jornada guiados por uma Aes Sedai e seu guardião (warder), que afirmam que um deles é o Dragão Renascido, destinado a salvar ou destruir o mundo.

Esse é apenas o ponto de partida, mas a narrativa vai se tornando cada vez mais complexa, repleta de personagens e cheia de emoção. Apesar da grande quantidade de protagonistas e ainda mais personagens secundários, tanto os livros quanto a série conseguem aprofundar a história de cada um deles. A produção é sensacional, com um elenco maravilhoso que conseguiu incorporar perfeitamente a essência de seus personagens.

Recapitulando um pouco das outras temporadas (sem spoilers):

Como mencionado, essa é uma história com muitos protagonistas. Começando pelos jovens de Dois Rios, temos Rand al’Thor (Josha Stradowski), Perrin Aybara (Marcus Rutherford), Mat Cauthon (Barney Harris na T1 e Donal Finn nas T2 e T3), Egwene al’Vere (Madeleine Madden) e Nynaeve al’Meara (Zoë Robins), que passaram suas vidas inteiras na mesma cidade pequena. De repente, conhecem Moiraine Sedai (Rosamund Pike), uma mulher capaz de canalizar o poder Único e membro do grupo de mulheres Aes Sedai, que os informa que um deles é o Dragão Renascido. Eles devem acompanhá-la em sua jornada até a última batalha, onde o Dragão está destinado a lutar contra o Senhor das Trevas, salvando ou destruindo o mundo. A premissa central da série é que o tempo é cíclico — como o próprio nome sugere — e que a Roda do Tempo reencarna as almas de tempos em tempos.

Ainda na primeira temporada, conhecemos Lan Mandragoran, guardião (warder) de Moiraine, outras Aes Sedai, Logain Ablar (um falso Dragão), Loial (um Ogier), Min (uma vidente), Ishamael (um dos Treze Escolhidos do Senhor das Trevas), o povo Tuatha’an (grupo nômade não violento) e um grupo que se auto intitula Filhos da Luz, opositores das Aes Sedai. Já na segunda temporada, somos apresentados a Elayne Trakand (princesa de Andor), Selene/Lanfear (uma dos Treze Escolhidos), o povo Aiel (habitantes do deserto) e os Seanchan. A terceira temporada promete expandir ainda mais esse universo e trazer novos personagens!

Com um mundo tão vasto e complexo, entendo que algumas escolhas criativas precisaram ser feitas, afastando a série, em maior ou menor grau, dos livros. Um exemplo disso foi a saída do ator que interpretava Mat na primeira temporada, forçando a equipe a reescrever os dois últimos episódios e alterando significativamente a história. Na segunda temporada, o personagem foi substituído por outro ator, que deu continuidade de forma surpreendente.

Até o momento, todas as mudanças feitas na adaptação não me incomodaram. Independentemente disso, a segunda temporada termina de maneira bem semelhante ao terceiro livro, com o Dragão se declarando em Falme, como previsto pela profecia.

Impressões do episódio 1 da temporada 3 (sem spoilers):

O episódio começa com todos os personagens reunidos em Tar Valon — o que já difere do início do quarto livro — um mês após os acontecimentos de Falme. Ele oferece um panorama geral das repercussões desses eventos, explora um pouco mais sobre a Ajah Negra (grupo de Aes Sedai que serve ao Senhor das Trevas) e apresenta um novo Escolhido (Forsaken). As relações entre alguns personagens que ainda não haviam sido exploradas começam a se desenvolver. Apesar disso, já fica claro que essa temporada vai se distanciar ainda mais dos livros, o que, pela primeira vez, começou a me incomodar um pouco.

Isso significa que eu achei o episódio ruim? Nem um pouco! Ele foi incrível, e eu não vejo a hora de assistir ao resto da temporada. Os criadores optaram por fazer algo diferente, mas sempre mantendo a essência dos personagens, algo que os atores conseguem transmitir de forma extraordinária. Gostei especialmente das cenas de luta logo no início, impactantes e com efeitos visuais de tirar o fôlego.

Expectativas para o resto da temporada:

O que eu estou mais ansiosa para ver é a Rainha Morgase, mãe de Elayne, e sua conselheira Elaida Sedai, que ainda não apareceram na série, mas foram apresentadas no primeiro livro. Também quero muito ver como eles vão explorar o povo Aiel, extremamente relevante no quarto livro e na jornada do Dragão. Como o primeiro episódio já deu uma prévia, estou curiosa para ver mais sobre Moghedien, a Forsaken brevemente apresentada no final da segunda temporada. Além disso, estou empolgada para acompanhar o desenvolvimento das relações entre alguns personagens, como Siuan e Moiraine, que terminaram em maus termos, e Rand e Egwene, cuja dinâmica ficou estagnada na temporada anterior. Por fim, espero ver personagens que não apareceram nos trailers, como Gawyn e Galad, irmãos de Elayne.

Um pouco sobre a produção

Essa série é uma coprodução da Amazon Studios e a Sony Pictures Television, e é uma adaptação da obra de mesmo nome do Robert Jordan. Além do criador da série para televisão Rafe Judkins, participam como principais produtores executivos:

  • Rick Selvage e Larry Mondragon – representantes da Red Eagle Entertainment, detentora dos direitos autorais
  • Sana Amanat – também produtora da Marvel
  • Harriet McDougal – viúva de Robert Jordan
  • Rosamund Pike – também atua como Moiraine Sedai na série

A série é gravada majoritariamente no Jordan Studios, em Praga – República Tcheca, e foi criado especificamente para a produção dessa série e em homenagem a seu criador. Além de Praga como base, as gravações também ocorreram na Eslovênia, Croácia e Espanha (primeira temporada), Itália e Marrocos (segunda temporada) e Irlanda e Islândia (terceira temporada). As gravações da terceira temporada começaram em abril de 2023 e terminaram em março de 2024, o que denuncia um grande período de pós-produção (por volta de 10 meses), dado que a temporada vai lançar um ano após o encerramento das gravações.

O orçamento da série não foi divulgado, mas há uma estimativa de um custo de US$10 a 12 milhões por episódio, dado a quantidade de gravações feitas no local (evitando o uso de telas verdes), a quantidade de efeitos práticos, a qualidade dos efeitos visuais e a quantidade de cenários construídos (vilas e cidades inteiras), fazendo dessa uma das séries mais caras já produzidas.

Além disso, sabe-se que a série vem sendo uma grande aposta da Amazon uma vez que a segunda temporada começou a ser produzida antes mesmo do lançamento da primeira (antes de avaliar a recepção da crítica e do público) e a terceira também começou a ser produzida antes do lançamento da segunda. Agora a Amazon decidiu ser mais conservadora e ainda não confirmou uma quarta temporada.

Os três primeiro episódios da série estreiam quinta-feira, dia 13/03 na Prime Video

Referências

https://www.imdb.com/pt/title/tt7462410/

https://www.news.com.au/entertainment/tv/streaming/the-wheel-of-time-mindblowing-behindthescenes-detail-from-blockbuster-series/news-story/79ab4fd5e9e751f52b496efbf4629f07

https://www.sonypictures.com/tv/thewheeloftime