O novo filme da A24 estreou na semana passada nos cinemas brasileiros e vem surpreendendo positivamente crítica e público. Diferentemente da maioria dos filmes de guerra — e de filmes em geral — este optou por um recorte temporal curto, com menos de 24 horas, e por contar essa história com o máximo de detalhes possível, de forma realista e fiel ao que realmente aconteceu. Um dos soldados que estava presente no conflito — interpretado por D’Pharaoh Woon-A-Tai — foi, inclusive, co-roteirista e co-produtor do longa.
A história gira em torno da Batalha de Ramadi — como ficou conhecida — em 2006, com foco na estratégia, no trabalho em equipe e em como os soldados cuidaram dos feridos.

É um filme imersivo
Por retratar um período muito curto de tempo e praticamente sem cortes temporais, é quase impossível não se sentir parte da história. É como se tudo estivesse acontecendo em tempo real: acompanhamos toda a comunicação, todos os protocolos e como os soldados se comportam nas mais diversas circunstâncias. Não que eu já tenha presenciado uma granada sendo detonada, mas, dentro do que é conhecimento comum, o filme conseguiu retratar a explosão de uma forma bem realista — com o apito nos ouvidos após a explosão, os ferimentos, o brilho e o fogo que não se apaga imediatamente por conta do fósforo branco… Tudo isso contribui ainda mais para a imersão na história.
Além disso, o filme mostra de forma bastante crua as feridas, a dor e o sofrimento dos soldados feridos, bem como os protocolos para tratá-los. Aqui, preciso exaltar a atuação de Joseph Quinn, que performa muito bem o sofrimento do soldado diante de um ferimento daquela magnitude. Nesse contexto, vale o aviso: o filme não é indicado para pessoas mais sensíveis a esse tipo de cena (como eu). Diversos ferimentos graves aparecem com frequência na tela — não é algo confortável de assistir, então, se isso te incomoda, prepare-se antes de ver.

O elenco está incrível
Além de Joseph Quinn, o Eddie de Stranger Things, e do D’Pharaoh Woon-A-Tai que já foram mencionados, o elenco conta com Will Poulter (Midsommar, 2019; Guardiões da Galáxia Vol. 3, 2023), Cosmo Jarvis (Xógum, 2024; Persuasão, 2022), Kit Connor (Heartstopper, 2022–), Charles Melton (Segredos de um Escândalo, 2023; Coração de Campeão, 2021), entre muitos outros. O comprometimento e o engajamento deles com a história são realmente impressionantes e transparecem para o espectador. Este é um filme em que você fica tenso o tempo todo, e isso exige uma força tanto física quanto psicológica que nem todo ator conseguiria transmitir.
Ele não tem uma moral, um herói ou qualquer coisa do gênero
O longa conta uma história pontual, um momento — e não a guerra inteira. Não é sobre um soldado específico, como Sniper Americano (2014), nem sobre vencer a guerra ou cumprir uma missão como em Dunkirk (2017). É apenas sobre um grupo de soldados que caiu numa armadilha e está tentando sobreviver, sem grandes impactos no conflito como um todo. O filme é puramente um retrato cru e sincero de soldados em ação. Não digo que isso seja ruim, mas é uma estrutura que pode causar estranhamento ou desagradar quem sai do cinema pensando “mas e depois?” ou “qual foi o ponto dessa história especificamente?”.

Um pouco sobre a produção
O filme foi uma coprodução da A24 — estúdio de A Baleia (2022) e O Brutalista (2024) — com a DNA Films, produtora de Xógum (2024) e Aniquilação (2018). Foi roteirizado e dirigido por Alex Garland, que também dirigiu Guerra Civil (2024), em parceria com o ex-fuzileiro Ray Mendoza, que estava presente durante os acontecimentos retratados. As gravações ocorreram em 2024, no Iraque e numa antiga base militar da Segunda Guerra Mundial próxima a Londres, o que contribuiu ainda mais para a autenticidade do longa, que teve um orçamento estimado em US$ 35 milhões.
Além de Mendoza, outros soldados que estavam presentes na batalha participaram da produção do filme, mas optaram por manter o anonimato, já que ainda estão na ativa, e os atores passaram por treimaneto militar intensivo para se prepararem. A produção contou, quase exclusivamente, com efeitos práticos, visando justamente o realismo e a imersão sensorial, tanto para os atores quanto para o público.
O filme está incrível e ainda em cartaz!
Referências
https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/tempo-de-guerra-critica-filme-explicado-a24
