Se você vem acompanhando todos os lançamentos da Marvel nos últimos cinco anos, sabe o misto de emoções que surge sempre que um filme novo estreia. A esperança de que seja algo muito bom, como Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis ou Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, e o medo de se decepcionar novamente, como aconteceu com Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Capitão América: Admirável Mundo Novo, primeiro filme da Marvel lançado este ano, já superou as expectativas, mas não foi suficiente para restaurar totalmente a confiança do público. Thunderbolts* estava cercado de grandes expectativas, com um marketing pesadíssimo — sendo uma das maiores apostas da Marvel. Para a felicidade do estúdio, o novo filme está fantástico, agradando tanto à crítica quanto ao público geral, e, com apenas dez dias em cartaz, já se tornou o segundo filme do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) mais bem avaliado no Rotten Tomatoes.

O filme continua a história de Bucky (Sebastian Stan), John Walker (Wyatt Russell), Yelena Belova (Florence Pugh) e Alexei Shostakov (David Harbour) — personagens que já haviam aparecido nas fases 4 e 5 do MCU —, além de resgatar Ava Starr/Ghost (Hannah John-Kamen), introduzida em Homem-Formiga e a Vespa (2018), que estava esquecida até agora, o que me agradou muito. O longa também apresenta um novo personagem importante para o futuro da saga, Bob (Lewis Pullman), e revela que, na verdade, os Thunderbolts* são os Novos Vingadores.

Conseguiu desenvolver a história de todos os personagens

Todos os protagonistas enfrentam algum tipo de crise existencial, medo de ficarem sozinhos ou de serem fracassados, o que demonstra um foco claro no público de 15 a 30 anos — que se identifica fortemente com essas questões. O filme aborda esses temas de maneira divertida e, ao mesmo tempo, profunda, mostrando que todos estão, no fundo, em busca de propósito e conexão. Ainda assim, o filme não deixou de agradar aos fãs mais velhos e aos leitores dos quadrinhos, sendo muito fiel à caracterização dos personagens.

Gostei de como o filme deu protagonismo a personagens que antes eram secundários nas histórias de outros, com exceção do Bucky, que vem sendo desenvolvido desde a fase 1. As dificuldades de cada um foram ressaltadas — por exemplo, Ava, que passou grande parte da vida em laboratórios e só queria pertencer a um grupo. Embora sua história não tenha tido tanta ênfase quanto a de Yelena, há vários momentos em que o grupo depende dela, e ela está sempre pronta para ajudar, mesmo dando justificativas para seu retorno, expressando uma resistência a ideia de trabalhar em equipe no começo. Da mesma forma, vemos como Walker está passando por um momento difícil após ser deixado pela esposa e pelo filho, o que transparece em suas atitudes de cuidado e defesa dos outros ao longo do filme.

Bucky, apesar de não ter um aprofundamento tão grande, traz uma lição sutil, mas importante: ele foi treinado para acreditar que a violência resolve todos os conflitos, e aprende que nem sempre é o caso. Já Alexei (Guardião Vermelho), pai de Yelena, é o mais empenhado em manter o grupo unido — é o que mais explicitamente busca pertencimento e reconhecimento, algo que, na verdade, todos ali desejam. Yelena é a que tem mais destaque no filme: é a sua jornada que acompanhamos de perto, vendo como está perdida e solitária, e como aos poucos encontra um propósito. Apesar do sarcasmo constante, ela realmente se importa com os outros e quer se conectar. E, por fim, temos Bob, cuja introdução sinaliza um papel central no futuro do MCU. Ele é quem mais evidencia questões de saúde mental, isolamento e sentimento de inadequação — e acho que o ator Lewis Pullman fez um excelente trabalho ao expressar tudo isso.

Preferência por efeitos práticos

Assim como em Agatha: Desde Sempre e Capitão América: Admirável Mundo Novo, Thunderbolts opta por usar mais efeitos práticos do que computação gráfica. Na minha opinião, isso melhora tanto a atuação dos atores — que não estão cercados por telas verdes, mas vendo de fato o que acontece ao redor — quanto a estética geral do filme, tornando-o visualmente mais satisfatório. A própria Florence Pugh afirmou que, quando se está realmente fazendo as cenas, vai além da interpretação e se torna uma reação natural do corpo, o que dá mais credibilidade às performances.

Além disso, a maioria das cenas de ação foi feita pelos próprios atores, em vez de dublês, graças principalmente à insistência de Pugh, que “brigou” com o seguro e com a Marvel para poder realizar as cenas — como a do início do filme, em que sua personagem pula do topo do segundo prédio mais alto do mundo. Essa cena foi realmente gravada pela atriz, que pulou de mais de 120 andares, pendurada em cordas.

Você não precisa assistir a outros projetos da Marvel para entender o filme

Claro que algumas cenas podem ter mais impacto se você tiver assistido às produções anteriores, mas, no geral, é um filme que se sustenta sozinho. Sim, ele é importante para o MCU como um todo e serve como introdução para a fase 6 da Marvel, que começa com Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, mas sua mensagem vai além do universo da Marvel.

Se quiser se preparar com mais contexto, as produções diretamente relacionadas aos personagens são:

  • Homem-Formiga e a Vespa (2018)
  • O Falcão e o Soldado Invernal (2021)
  • Viúva Negra (2021)
  • Hawkeye (2021)
  • Capitão América: Admirável Mundo Novo (2025)

O filme está sensacional. Seja você fã da Marvel ou não, vale muito a pena assistir!

Um pouco sobre a produção

O roteiro foi assinado por Eric Pearson, que também escreveu Thor: Ragnarok (2017) e Viúva Negra (2021), e por Joanna Calo, roteirista de Hacks (2021) e BoJack Horseman (2016–2020). A direção ficou por conta de Jake Schreier, em seu primeiro trabalho com a Marvel. As filmagens ocorreram principalmente nos estúdios Trilith e Atlanta Metro, em Atlanta, entre fevereiro e junho de 2024. Cenas adicionais foram gravadas ao ar livre em Utah entre julho e dezembro, e a icônica cena de Florence Pugh pulando do prédio foi realmente filmada em Kuala Lumpur, na Malásia. O orçamento estimado do filme foi de US$180 milhões (sem contar o marketing), sendo uma das maiores campanhas publicitárias da Marvel nos últimos anos.

Apesar da recepção extremamente positiva do público e da crítica, e de todo o investimento em divulgação, o desempenho nas bilheteiras ficou abaixo das expectativas. A arrecadação no fim de semana de estreia foi semelhante à de Capitão América: Admirável Mundo Novo, com US$76 milhões nos Estados Unidos e US$162 milhões no total global. Estima-se que o filme precise alcançar ao menos US$450 milhões para não dar prejuízo.

Referências

https://www.boxofficemojo.com/release/rl2647753473/?ref_=bo_hm_rd

https://www.infomoney.com.br/consumo/thunderbolts-arrecada-us-76-milhoes-nos-eua-e-canada-em-fim-de-semana-de-estreia

https://ovicio.com.br/thunderbolts-orcamento-do-filme-da-marvel-e-revelado

https://www.imdb.com/pt/title/tt20969586/

https://www.rottentomatoes.com/m/thunderbolts