Quinta-feira, 15 de maio, tive o privilégio de assistir antecipadamente ao último filme da grande franquia do Tom Cruise, iniciada lá em 1996. O longa é uma continuação direta de Missão: Impossível – Acerto de Contas (2023) e traz uma conclusão para toda a jornada de Ethan Hunt (Tom Cruise).

Recapitulando o filme anterior (alerta de spoiler sobre Acerto de Contas)

Acerto de Contas começa com Ethan sendo convocado para combater uma nova Inteligência Artificial fora de controle chamada “A Entidade”. Ela se tornou autônoma, capaz de manipular e hackear sistemas, e deseja dominar o mundo. Para impedir isso, Ethan e sua equipe precisam encontrar duas partes de uma chave que dá acesso ao código-fonte da Entidade. No processo, ele reencontra antigos aliados e enfrenta um novo inimigo, Gabriel, uma espécie de representante da Entidade. O filme termina com Ethan escapando com a chave. Agora, ele precisa descobrir onde está o código-fonte, recuperá-lo e destruí-lo antes que a Entidade conquiste o mundo.

O começo do filme é uma grande homenagem à franquia

O longa consegue, de forma talvez não tão sutil, mas muito fluida, fazer uma retrospectiva dos outros sete filmes: todos os desafios que Ethan enfrentou, as perdas que sofreu e também uma recapitulação do filme anterior. É uma homenagem bonita e emocionante não apenas à trajetória do personagem, mas também à do próprio Tom Cruise — um dos únicos artistas que realiza todas as cenas de ação sem dublês.

Dentro dessa linha nostálgica, o filme traz de volta um personagem do primeiro longa, que talvez você nem lembrasse, mas que ganha novo significado agora. É uma forma ótima de fechar ciclos e resolver pontas soltas, especialmente para o Ethan como pessoa. O filme é levemente nostálgico, com flashbacks e referências, mas sem ser maçante ou clichê.

Esse filme tem muito mais ação

Como é uma parte dois, não há tanta introdução — os personagens já sabem qual é a missão, o plano já foi feito (e falhou), então o filme começa direto na corrida contra o tempo. A tensão é constante, e Ethan entra em situações cada vez mais extremas para cumprir seu objetivo.

As cenas são bem construídas e, na minha opinião, bastante críveis, especialmente sabendo que Tom Cruise prioriza efeitos práticos. Diferente de outras franquias como Velozes e Furiosos, que às vezes exageram e perdem aquela sensação de que aquilo, por mais extremo que seja, possa realmente acontecer, como quando eles mandaram um carro para o espaço. Claro que, como eu disse, são situações extremas, não é como se qualquer pessoa a qualquer momento conseguisse fazer essas coisas na vida real, mas sabendo do histórico do Tom Cruise, que já pulou com uma moto de um penhasco, posso dizer que ele está excepcional, testando seus limites e dá credibilidade para as cenas.

Apesar de ter 2 horas e 45 minutos, o filme tem um ritmo ótimo, sem se arrastar. As cenas se conectam de maneira fluida e mantêm a tensão. Sendo o último filme, com um histórico de perdas importantes, há uma sensação constante de que qualquer personagem pode morrer — e isso adiciona ainda mais peso emocional à narrativa. Em vários momentos, me peguei prendendo a respiração de tão nervosa que estava.

Um detalhe que gostei muito: sempre que aparece uma contagem regressiva na tela, fico observando se o tempo no filme condiz com o tempo real. A maioria dos filmes ignora isso, mas aqui, nas vezes em que reparei, a contagem estava bem fiel — o que só reforça o cuidado com o realismo.

O elenco está fantástico

Além de Ethan, temos Luther (Ving Rhames) e Benji (Simon Pegg), amigos de longa data, além de Grace (Hayley Atwell), Gabriel (Esai Morales) e Paris (Pom Klementieff), apresentados no último filme. O elenco ainda ganha reforços com os personagens de Angela Bassett e Tramell Tillman, que agregam muito. O grupo tem ótima química e funciona de forma coesa.

Um pouco sobre a produção

Produzido pela Paramount Pictures, o filme começou a ser gravado em março de 2022, mas sofreu uma interrupção em 2023 por conta da greve dos roteiristas. As gravações foram retomadas em março de 2024 e concluídas em novembro. As filmagens ocorreram em diversas locações, com o Reino Unido como base, além de Noruega, Itália, Malta e África do Sul.

Christopher McQuarrie volta como diretor, roteirista e produtor — função que divide com Tom Cruise, repetindo a parceria dos últimos quatro filmes da franquia.

O orçamento foi altíssimo, estimado entre US$ 300 e 400 milhões, colocando o filme entre os cinco mais caros da história. Por isso, ele precisa atingir cerca de US$ 900 milhões na bilheteria global para chegar ao breakeven e evitar prejuízos — um desafio, considerando que o filme anterior ficou abaixo da meta.

Outro ponto notável é o uso quase exclusivo de efeitos práticos. A produção adquiriu um submarino cinematográfico de US$ 25 milhões e construiu um tanque com capacidade para 8,5 milhões de litros de água para as cenas subaquáticas. Cruise, que já ficou seis minutos submerso sem máscara de oxigênio em Nação Secreta (2015), voltou a realizar essas cenas ele mesmo — assim como as em que está pendurado na asa de um avião em pleno voo.

A estreia mundial aconteceu em 14 de maio no Festival de Cannes de 2025 e foi ovacionado por mais de 7 minutos. O filme chega aos cinemas brasileiros neste sábado, dia 17 de maio. Ele está espetacular e vale muito a pena conferir.

Refências

https://www.imdb.com/pt/title/tt9603208/

https://www.rottentomatoes.com/m/mission_impossible_the_final_reckoning

https://4filming.com/mission-impossible-final-reckoning-filming-locations

Mission: Impossible – The Final Reckoning – The Art of VFX

https://people.com/what-working-with-tom-cruise-mission-impossible-is-like-exclusive-11733574

https://collider.com/mission-impossible-the-final-reckoning-image-tom-cruise-underwater/