Essa semana foi lançado o décimo e último episódio da primeira temporada. Teve uma recepção maravilhosa, tanto da crítica quanto do público, atingindo 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, e já foi renovada para a segunda temporada. A série, inclusive, já é uma das favoritas para as próximas premiações, como o Emmy Awards, principal premiação de séries.
A série acompanha Matt Remick (Seth Rogen), o recém-promovido CEO do estúdio Continental (fictício), e diversas circunstâncias e decisões que ele precisa tomar. Além de Matt, também participam das decisões os executivos criativos Sal Saperstein (Ike Barinholtz) e Quinn Hackett (Chase Sui Wonders), a chefe de marketing Maya Mason (Kathryn Hahn) e a produtora e antiga CEO do estúdio, Patty Leigh (Catherine O’Hara). Além disso, conta com diversos convidados especiais, como Martin Scorsese, Anthony Mackie, Adam Scott, Zoë Kravitz e muitos outros.
É uma série genuinamente engraçada
Há tempos eu não assistia a uma série que me fizesse rir alto do jeito que ri com essa. É muito legal como eles conseguem transformar momentos de alta pressão, que se assemelham muito a situações reais, em cenas divertidas, sem perder a tensão. Na minha opinião, houve episódios que eram mais engraçados e realmente de dar risada, e outros que, apesar de não me fazerem rir de fato, foram extremamente divertidos.
Algo que contribuiu muito para isso foi a combinação do elenco, que é simplesmente fantástico, com um destaque especial para Hahn e Barinholtz, que construíram uma dinâmica incrível com Rogen. Matt é, de certa forma — como é apontado algumas vezes durante a série —, fraco e se importa demais com a opinião dos outros. Já Sal, que é seu melhor amigo, faz justamente aquilo que Matt não tem coragem, principalmente quando se trata de lidar com celebridades. Maya tem uma energia mais animada e explosiva, e acaba sendo a voz da razão. Ela é quem grita — quase que constantemente — com Matt, para que ele faça aquilo que, no fundo, é o trabalho dele. Além disso, por ser a executiva de marketing, ela tenta constantemente ser o mais jovial possível, usando o máximo de gírias das gerações Z e Alpha, o que deixa sua personagem ainda mais divertida.
Outra questão que, na minha opinião, colaborou imensamente para esse tom cômico é que todas as cenas são gravadas em plano-sequência, ou seja, em um único take, sem cortes — mais ou menos como foi feito em Adolescência (Netflix). A diferença é que, em vez de o episódio inteiro ser um único take, eles ainda têm cortes de uma cena para outra. Esse método traz uma tensão maior para cada cena, já que, se algum dos atores errar, precisam regravar tudo desde o início. Por outro lado, também oferece uma liberdade maior para os atores improvisarem — algo essencial em uma série de comédia —, o que faz com que, diversas vezes, tenhamos a reação real dos outros atores ao improviso de seus colegas.

Ela tem muitas referências ao mundo real
Isso pode não ser um ponto positivo para todos, mas, para mim, agregou muito à narrativa. Desde atores e diretores atuando como eles mesmos — ou, pelo menos, uma versão de si mesmos —, como os que já foram mencionados, além de muitos outros, como Sarah Polley, Greta Lee, Ron Howard, Dave Franco, Zac Efron, Olivia Wilde e inúmeros outros. Também há referências a filmes como Super Mario, Barbie, Era Uma Vez em… Hollywood, além de eventos reais como o Globo de Ouro, que eles recriaram até o último detalhe, no mesmo local onde o evento de fato acontece, durante uma semana de gravações. Eles também recriaram a Anaheim Comic Con e a CinemaCon, em Las Vegas.
Outra coisa, também relacionada à realidade, é que eles usam muitas gírias atuais, o que contribui para o humor. No entanto, são gírias americanas e, para quem não está muito familiarizado com elas, pode acabar não entendendo uma coisa ou outra. Isso não compromete o entendimento da cena, mas pode fazer com que se perca um pouco da graça. Além disso, por serem expressões em inglês, algumas se perdem na dublagem, embora tenham conseguido adaptar algumas coisas. Portanto, no caso dessa série especificamente, eu recomendo assistir em inglês para não perder parte da comédia, que está justamente na forma como os personagens entregam suas falas.
Os episódios são independentes e curtos
Com exceção do primeiro episódio, que tem 43 minutos e precisa, de fato, ser assistido primeiro — pois é quando Matt recebe a promoção —, os outros episódios têm entre 25 e 35 minutos e não precisam necessariamente ser assistidos na ordem, com a ressalva dos episódios 9 e 10, que são continuação um do outro. Cada episódio gira em torno de uma circunstância que faz parte da rotina de um CEO de estúdio, funcionando como uma história completa. Assim, o episódio “Globo de Ouro” foca exclusivamente no evento, enquanto o episódio “Plano-Sequência” gira em torno da gravação de uma cena de um filme.
Minha única crítica a essa série é a duração dos episódios. Eu poderia assistir a essa série durante horas! Ela é muito original, trazendo um ponto de vista que raramente é retratado em produções audiovisuais: justamente como essas produções são feitas. Fora essa, eu consigo pensar em Era Uma Vez em… Hollywood (2019), que tem algumas cenas em um set de gravação, mas não é o foco do filme; Dix Pour Cent (2015–2020), uma série francesa que foca nos agentes de artistas; ou Cantando na Chuva (1952), que também aborda bastidores, mas muito mais pelo ponto de vista dos atores. Apesar disso, achei os episódios muito bem construídos e completos. Não senti que faltou nada em termos de narrativa — apenas gostaria que os episódios fossem mais longos, simplesmente porque são muito bons.

Um pouco sobre a produção e curiosidades
Além de protagonista, Seth Rogen também foi criador, roteirista, produtor e diretor da série. Também participaram da criação, produção, roteirização e direção Evan Goldberg, James Weaver, Frida Perez, Peter Huyck, Alex Gregory, Alex McAtee e Josh Fagen. Todas as gravações ocorreram entre março e junho de 2024, em Los Angeles e Las Vegas (para os episódios 9 e 10), e contaram com apenas uma equipe de câmera, já que, como dito antes, todas as cenas foram gravadas em plano-sequência. As principais produtoras envolvidas foram a Point Grey Pictures, de Rogen e Goldberg, e a Lionsgate Pictures.
Uma curiosidade é que, para as cenas gravadas com Martin Scorsese, Seth Rogen e Evan Goldberg ficaram com receio de que ele reclamasse do fato de haver apenas uma câmera — dado o método de plano-sequência — e, por isso, contrataram a equipe de câmera do próprio Scorsese para ficar de sobreaviso no hotel, caso ele pedisse mais uma câmera. Isso não aconteceu, e Rogen até brincou, em uma entrevista, que uma das equipes de câmera mais caras da indústria foi contratada para ficar em um quarto de hotel. Outro fato curioso é que o segundo episódio é sobre a gravação de uma cena durante a “magic hour”, ou seja, durante o pôr do sol, e, para isso, o episódio também precisava ser gravado nesse horário. Assim, eles tinham 45 minutos por dia para conseguir concluir as gravações.
O primeiro trailer da série foi divulgado durante o Super Bowl, em que eles exibiram o trailer de Duhpocalypse, que é, na verdade, um filme fictício produzido pelo estúdio dentro da série, trazendo um marketing bem inovador. A estreia mundial da série foi em 7 de março, no SXSW (South by Southwest), e todos os episódios estão disponíveis na Apple TV+.

Referências
https://www.rottentomatoes.com/tv/the_studio/s01
https://www.apple.com/tv-pr/originals/the-studio
https://www.papodecinema.com.br/noticias/o-estudio-tudo-sobre
