O novo filme da A24, escrito e dirigido por Celine Song e que estreia esta quinta-feira (31/07) nos cinemas brasileiros conta a história de uma “casamenteira” (matchmaker) chamada Lucy (Dakota Johnson) que vê o casamento como um negócio e não acredita que o amor deva ter qualquer influência para que um relacionamento dê certo, nisso ela conhece Harry (Pedro Pascal), um homem rico que, para todos os efeitos, é o homem perfeito e, surpreendentemente, demostra interesse nela, ao mesmo tempo que reencontra com seu amor do passado John (Chris Evans). Pela sinopse da história, você já pode imaginar como é o desenrolar dessa história, então a pergunta que fica é “o que há de diferente nesse filme?”

A forma como a protagonista enxerga relacionamentos e a racionalidade dela
Uma coisa que eu gostei nesse filme é a protagonista é muito racional e ela enxerga as coisas de forma muito objetiva e sincera, e ela não esconde isso de ninguém. Em nenhum momento ela finge estar apaixonada pelo cara rico. Da mesma forma, o Harry não finge estar apaixonado por ela, ambos veem o relacionamento como uma negociação, ele deixa claro o que ele tem a oferecer para ela e quais as características dela são interessantes para ele.
Mesmo quando ela está com John, seu amor do passado, dela deixa muito claro o porquê o relacionamento deles não deu certo e que definitivamente não foi por falta de amor. É um filme que tira essa ideia de que tudo que um casal precisa para funcionar é o sentimento, quando na verdade questões como projeto de vida, condições financeiras e ambição (ou falta dela) também tem um peso nessa dinâmica.
Desenvolvimento da Lucy no decorrer da história
No começo do filme a Lucy além de ambiciosa parece ser insensível, e como uma casamenteira parece que, por um lado, ela está enganando suas clientes apenas pelo dinheiro, e fazendo de tudo para que suas clientes se casem. No decorrer do filme, outras faces da Lucy vão aparecendo, mostrando que, na verdade, ela se importa muito com as suas clientes, mas sem negar a visão pragmática dela.
O final da história não nega quem a Lucy era no começo, mas mostra uma mudança de prioridades, sem mudar completamente a personalidade. Em todos os momentos do filme é claro para Lucy que ela tem escolhas e suas escolhas têm consequências e como ela lida com essas consequências é sempre com muita coerência.
Por último, ela sempre é muito transparente com todos, com o Harry, com o John, com suas clientes… Isso é algo que eu gosto muito, pois uma das coisas que mais me irrita em filmes é quando tem uma mentira de leva a outra mentira e você consegue ver claramente que aquilo vai dar errado.
Não sai tanto do clichê quanto eu estava esperando
Não me leve a mal, eu amo comédias românticas, mas por ser um filme da Celine Song, que também escreveu e dirigiu Vidas Passadas (2023) e pelas críticas que eu li do filme minha expectativa era que a história fosse um pouco mais original e inovadora. É um filme muito gostoso de assistir, e o roteiro é muito bem escrito, mas não posso dizer que é uma história surpreendente e emocionante.
Vidas Passadas (Past Lives) foi um filme maravilhoso e com um enredo bem mais original, o que acabou elevando minhas expectativas para este filme. Como ambos foram escritos e dirigidos pela mesma pessoa, não tem como não o usar como parâmetro, o que faz com que Amores Materialistas (Materialists) seja, de uma certa forma decepcionante. Não porque ele em si é ruim, longe disso por sinal, mas porque seu antecessor foi extraordinário.

Elenco do filme
Começando pelo Pedro Pascal, que é um dos atores mais queridos desse planeta (inclusive por mim) neste momento, ele faz seu papel muito bem (claro), e eu não tenho críticas diretas a ele, mas eu preciso admitir que eu acho que ele foi uma jogada de marketing mais do que qualquer outra coisa, não acho que ele era único para o papel ou insubstituível. Amo ele como ator, mas sinceramente, eu acredito que ele foi para atrair mais audiência para o filme. Ele está incrível? Sim! Precisava ser ele? Não.
Já a Dakota Johnson foi uma escolha acertada e eu não consigo pensar agora outra atriz que conseguiria dar vida a essa personagem do jeito que Johnson fez. A serenidade na voz dela, sua calma natural e sua plenitude de modo geral é importante para a personagem. Mudar ela por outra atriz mudaria completamente a personagem e, consequentemente, o filme. Não sou a maior fã da Dakota, mas ela definitivamente tem química tanto com Pascal quanto com Evans.
Por último, Chris Evans não deixa nada a desejar, pesando para além de seu papel como Capitão América no Universo Cinematográfico da Marvel, esse não é o primeiro filme de comédia romântica do ator, que também atuou em Qual o seu Número? (2011) e em Antes do Adeus (2014), e eu preciso admitir que eu gosto bastante dele neste gênero. O perfil do personagem dele já é familiar para Evans e ele fez o papel muito bem, e deixou o filme ainda mais gostoso de assistir.
Para além do elenco principal, gostaria de destacar Zoe Winters que interpreta Sophie, uma das clientes de Lucy. A atuação dela foi incrível e merece ser evidenciada. Não posso falar muito sobre o arco da personagem sem dar spoilers, mas ela realmente expressa muito bem as emoções que são exigidas de sua personagem.
Um pouco sobre a produção
Este foi o segundo longa de Song, que escreveu com base em sua própria experiência como casamenteira em Nova York, e foi uma Coprodução da A24, 2AM e Killer Films. O filme teve um orçamento de US$20 milhões e até o momento já alcançou uma bilheteria de US$52 milhões, já passando do seu breakeven antes mesmo de lançar em todos os países que está previsto. Gravado majoritariamente em Nova York durante final de abril e começo de junho de 2024, e com algumas cenas pontuais gravadas no México, foi um dos principais lançamentos da A24 este ano até o momento.
Se você gosta de comédia romântica (assim como eu) este filme definitivamente é para você!

Referências
https://www.imdb.com/pt/title/tt30253473/
https://www.boxofficemojo.com/title/tt30253473/?ref_=bo_se_r_1
