Este ano eu tive o prazer de ir à Comic Con de San Diego, que aconteceu entre os dias 23 e 27 de julho, pela primeira vez na vida, e vou compartilhar com vocês a principais diferenças que eu notei entre a Comic Con aqui de São Paulo (CCXP) e a Comic Con de San Diego (SDCC). Antes de qualquer coisa, preciso ressaltar:
- Que eu vou na CCXP desde 2018, sempre todos os dias
- Eu nunca comprei o ingresso Unlock da CCXP, que dá acesso a palestras sobre negócios na indústria do entretenimento
- Esse ano foi um ano com menos estúdios marcando presença na SDCC Agora vamos para as diferenças:
1. Tipos de Ingresso
Na CCXP além da opção de comprar o ingresso de um único dia, há também a opção de comprar o ingresso para os quatro dias, que acaba sendo mais barato do que comprar os quatro ingressos unitários, e o Epic Pass, que é um ingresso mais caro, mas que te dá acesso, além de outras vantagens, à Spoiler Night, que acontece na quarta-feira a noite. Na SDCC, a única opção é o ingresso de cada dia, e a única restrição para comprar o ingresso para Preview Night, similar a Spoiler Night, também acontece quarta-feira à noite, é que você precisa comprar ingresso para todos os dias. Em questão de preço, os ingressos da CCXP para um único dia variam entre R$360 e R$520, dependendo do dia, o ingresso para os 4 dias custa por volta de R$1600, e o Epic Pass saí por volta de R$2300 (valores variam de acordo com o lote) Já os preços da SDCC é US$80 (~R$430) para os ingressos de quinta, sexta e sábado, e US$60 (~R$320) para quarta (Preview Night) e domingo.
2. Preview Night x Spoiler Night
Como na SDCC a única restrição para comprar o ingresso para a Preview Night é comprar o ingresso para os quatro dias, a quarta feira noite lá é muito mais cheia, de forma que não percebi diferenças significativas na quantidade de pessoas no pavilhão de quarta para os outros dias. Na CCXP, para ir à Spoiler night, você precisa comprar o Epic Pass, o Unlock ou ser convidado (em caso se influencers, creators e pessoas de empresas parceiras), o que faz que o pavilhão seja significativamente mais vazio em relação os outros dias de evento e, consequentemente, dando uma a sensação de exclusividade muito maior.

3. SDCC vai além do pavilhão
Como o centro de convenções de San Diego fica no meio da cidade, próximo ao centro histórico, a Comic Con se expande para as ruas em volta, e para os hotéis ao lado. As ativações das marcas, por exemplo, ficam muito mais fora do pavilhão, também tem vários painéis que acontecem no Marriott Hotel ao lado. Além disso, há festas que acontecem ao redor depois que o pavilhão fecha, de forma que pessoas sem credencial consigam participar de várias dessas atividades. Já aqui em São Paulo, o evento acontece na São Paulo Expo na Imigrantes, e é um pouco mais isolado, o evento acontece integralmente dentro do pavilhão, sem qualquer atividade do lado de fora.
4. Os pavilhões têm propósitos diferentes
Como na SDCC, muitas ativações acontecem na rua, dentro do pavilhão não tem tantos stands de marcas/estúdios, mas sim lojas. O pavilhão é quase que integralmente dedicado a lojas, mesmo quando há Stands das marcas como por exemplo da HBO Max, o stand geralmente acaba sendo para vender produtos das séries, por exemplo camisetas, mochilas e pins de The Last of Us. Com isso também há muitos produtos que não são tão comuns aqui, tem muitas e muitas lojas de pins, histórias em quadrinhos, colecionáveis, “mystery boxes” (caixas surpresas de bonequinhos), e até colecionáveis e outros objetos mais raros, difíceis de encontrar.
Claro que também tem uma ou outra ativação, mas são bem menos interativas com o público quando comparadas com as ativações que são feitas aqui. Algumas ativações que tinham dentro do pavilhão eram uma máquina de garra gigante da Paramount, distribuição de posters em horas aleatórias do dia no stand da Hulu e tirar foto com o H.E.R.B.I.E (robô do novo Quarteto Fantástico). Além disso, a infraestrutura dos stands em San Diego é bem mais simples.
Em São Paulo a dinâmica é diferente, a começar por stands muito mais elaborados e bem construídos. Segundo que, aqui é muito focado em interações com ativações super elaboradas, como a de The Boys, da Amazon Prime Video, do ano passado que era um escape room extremamente imersivo e cheio de detalhes com direito a pins diferentes dependendo se o seu time conseguiu escapar a tempo ou não, ou de Ruptura, da AppleTV+, que construiu o escritório da Lumon, e ao final entregou um crachá, bloco de notas, caneta, pin, poster e ecobag, ou até mesmo do Minecraft, da Warner Bros, que tinha craftables em que você tinha colocar os blocos para construir algo e “bater” nos blocos (numa tela) como se você fosse o próprio personagem do jogo para minerar diamantes. Claro que, na CCXP também tem lojas, mas isso não domina o espaço.

5. Os Painéis
Assim como na CCXP tem os Palcos Thunder e Ultra, na SDCC tem o Hall H e o Ballroom 20, que é onde vão os grandes astros, como o elenco diretores e produtores da Marvel, Star Wars, Percy Jackson, Mad Max Furiosa, Stranger Things… e funciona de uma forma muito similar. Todavia, na SDCC tem vários painéis que acontecem em salas menores, que não exige ficar horas na fila para entrar e eu achei super legais, inclusive passei a maior parte da Comic Con nesses painéis, nem cheguei a entrar no Hall H.
Esses painéis são com profissionais da indústria, mas que não são famosos e, portanto, muito mais acessíveis. Eu tive a oportunidade de conversar, por exemplo, com toda equipe de figurinistas de Agatha Desde Sempre, isso mesmo, eu não apenas fiquei vendo eles falarem no palco, eu falei com eles, além de conversar com inúmeros outros produtores, diretores, roteiristas e figurinistas independentes, de realmente trocar Instagram, e-mail e número de telefone e, até mesmo, sair para jantar com eles. Isso para mim foi um sonho, e o que fez a viagem realmente valer a pena, recebi tantos conselhos valiosos que não tem nem como mensurar.
Esse tipo de contato que eu acho que falta na CCXP, mas quero ressaltar mais uma vez que eu nunca comprei o ingresso Unlock, e não sei dizer se ele tem essa proposta.
6. Artist’s Alley (SDCC) x Artist’s Valley (CCXP)
Na CCXP o Artist ‘s Valley fica no centro do pavilhão e é enorme, contando com mais de 400 artistas ao longo dos quatro dias. E é lotado independentemente do dia e do horário, para mim é minha parte favorita da CCXP. Já na SDCC é substancialmente menor e fica no finalzinho do pavilhão bem isolada e extremamente apertada, acho que tinha menos de 100 artistas lá, contando com alguns outros que estavam espalhados pelo pavilhão. O que foi um choque para mim, pois sigo diversos artistas americanos.
Um outro detalhe, que também me deixou em leve estado de choque é que havia artes sexualizando demais o corpo feminino, inclusive artes proibidas para menores de 18 anos. Sim, você não entendeu errado, é isso mesmo que você está pensando, tinham mesas vendendo isso na SDCC. Então eu não sei como é feita a seleção de quais artistas vão para o evento, pois imagino que deva ser algo minimamente concorrido.

7. Alimentação
Mais uma vez pelo pavilhão ser no meio da cidade, as opções de comida lá dentro são extremamente limitadas, contando apenas com duas redes de fast food em pontos mais específicos, já que é fácil sair do pavilhão atravessar a rua e ir comer em restaurantes do lado de fora. No meu caso eu levei a minha própria comida para comer lá durante o dia. Já na CCXP tem diversas opções de comida ao longo de todo o comprimento do pavilhão, com vários food trucks, além de carrinhos vendendo bebidas e pelo menos pipoca ou açaí a cada 50m no meio do pavilhão.
8. Segurança
Enquanto na CCXP para entrar no pavilhão eles revistam sua mala e passam detector de metais e você e, em caso de cosplay, tem que passar por uma revisão de cosplay, na SDCC não tem nada disso, é chegar, passar sua credencial e entrar, simples assim. Em teoria, eles até pedem para quem está de cosplay passar por uma checagem, mas na prática, não tinha nada de fato barrando o cosplayer de entrar sem ter passado pela revisão.

9. Os brindes
Na CCXP eles têm uma gestão maior de estoque, por falta de um termo melhor, então basicamente você ganha o brinde, seja um pin, um poster ou algo mais elaborado, apenas após passar pela ativação, então independentemente da hora do dia e de qual dia na semana você vai, você consegue o brinde. Na SDCC, por mais que de fato tenha alguns stands que façam assim, o mais comum é eles apenas distribuírem em horas aleatórias do dia e, principalmente, assim que abre o pavilhão, então o segredo para ganhar brinde lá é chegar cedo e sair passando por todos os stands assim que abrir.
10. Fluxo de pessoas dentro do pavilhão
Objetivamente falando os corredores da SDCC são bem mais estreitos que os corredores da CCXP, o que já dificulta o fluxo, mas para além disso, eu percebi que há uma presença imensamente maior de carrinhos de bebê, cadeiras de rodas e motinhos em San Diego, o que no fundo é uma característica cultural, mas isso atrapalha demais andar por lá. Outra coisa é que lá também é permitido cachorro, não apenas cachorro de serviço, mas pet mesmo, que inclusive vão de mochilinha e cosplay. Eu achei muito fofo, mas mais uma vez é algo que atrapalha um pouco na hora da locomoção.
Qual eu prefiro?
Essa é uma decisão difícil, mas eu particularmente, apesar de todas as críticas prefiro a de San Diego, mas por um motivo muito específico: oportunidade de conversar com pessoas da indústria. Como alguém que quer trabalhar na área, ter esse contato tão próximo não tem preço, e como eu falei, parecia um sonho estar conversando com eles lá de igual para igual. Dito isso, qual eu RECOMENDO? Caso você, diferente de mim, esteja apenas na posição de fã e quer ter a melhor experiência de fã, a CCXP vale muito mais a pena, porque como eu disse, a SDCC é muito voltada para o COMÉRCIO, então a não ser que você tenha o dinheiro para gastar e queira comprar colecionáveis e produtos um pouco mais específicos, a CCXP vai te fornecer uma experiência muito mais divertida imersiva.

