O filme começa com o dia em que Justine (Julia Garner), professora da terceira série do fundamental, chega para dar aula e 17 dos seus 18 alunos sumiram durante da noite para o dia. A história se desenvolve mostrando todos os desdobramentos, a revolta dos pais contra a Justine, que acaba sendo acusada de ter sequestrado as crianças, como a polícia e a escola está lidando com a situação e todos tentando entender o que de fato aconteceu. Mais do que um filme de terror, é um filme de mistério, não tem tantos sustos nem cenas muito fortes, mas brinca com o sobrenatural.
O filme adota um método diferente de contar a história
Antes de solucionar o mistério em si, o filme aborda o mesmo período de diferentes pontos de vista, o primeiro é o da Justine, depois o do Archer (Josh Brolin), pai de uma das crianças desaparecidas, depois do Paul (Alden Ehrenreich), um dos policiais cuidando do caso, do James (Austin Abrams), um drogado da cidade, do Marcus (Benedict Wong), diretor da escola, e, por último, do Alex Lilly (Cary Christopher), única criança da sala a não desaparecer.
Essa brincadeira de mostrar os mesmos acontecimentos através de diferentes perspectivas é muito interessante e acaba dando muito mais dimensão e profundidade para a história, diferente de visão unilateral de apenas uma pessoa. Para mim, esse foi um dos pontos mais fortes do longa, uma vez que as perguntas que aparecem durante a perspectiva de um dos personagens e respondida pela perspectiva de outro, o que faz com que nós (audiência) vamos gradualmente solucionando o mistério sem sentir que as informações estão sendo dadas “de graça”.

História metódica e consistente, mas deixa algumas perguntas
Eu achei muito bem-feito como a história foi desenvolvida, com inúmeros detalhes que você acaba não prestando atenção no começo, mas que gradualmente vai ganhando significado, de forma que tudo que é falado e mostrado durante o filme é intencional. Junto a isso, é possível ver que tudo que acontece é ritualístico, é metódico, acontece daquele jeito por um motivo, mesmo que esse motivo seja, em alguns casos, sobrenaturais. Nesse contexto, alguns detalhes são mais específicos e para entender o significado por trás precisa de um conhecimento além do filme em si. Nada que afete a sua compreensão da história, mas que se você entende a referência o filme se torna mais interessante e intencional, como o horário em que as crianças somem.
Por outro lado, alguns desses ritos, ou melhor, a origem deles, não é muito bem explicada durante o filme, o que causou um desconforto em parte da audiência. Há algumas coisas no filme que você tem que aceitar como verdade. Isso foi até apontado para o diretor que afirmou que eles estão pensando em fazer um outro filme que se passe antes deste para explicar a origem de algumas coisas que aparecem na história.
Um pouco sobre a Produção
O filme foi produzido pela New Line Cinema, produtora responsável por inúmeros filmes de terror, incluindo a franquia de Invocação do Mal (The Conjuring) e Premonição (Final Destination), em conjunto com Subconscious, Vertigo Entertainment e BoulderLight Pictures. Antes de firmar com New Line Cinema, o roteiro foi altamente disputado por grandes estúdios como Universal e Netflix, mas o roteirista e diretor Zach Cregger escolheu a New Line pela liberdade criativa e controle sobre o corte final.
A produção teve um orçamento estimado de US$38 milhões de dólares, foi gravado entre maio e junho de 2024 em Atlanta, Geórgia (EUA). Além disso, a escola presente no filme foi construída especificamente para a série e contou com mais de 170 crianças durante as gravações. O filme teve sua estreia mundial em 6 de agosto e até o momento já arrecadou US$260 milhões na bilheteria global, podendo ser considerado um grande sucesso.

Referências
https://screenrant.com/weapons-movie-217-am-meaning-explained/#:~:text=Weapons
https://www.boxofficemojo.com/title/tt26581740/?ref_=bo_se_r_1
