Hoje é dia de Oscar, e eu vim aqui trazer o meu ranking pessoal dos filmes indicados a Melhor Filme, com uma opinião rápida sobre cada um!
10. Emília Perez
Esse filme caminha na linha tênue entre ser realista e ser uma caricatura. O enredo tenta abordar muitos assuntos importantes, mas acaba sendo superficial em todos eles. As músicas não cativam, e a história absurda de redenção de um ex-chefe do narcotráfico no México que faz a transição de gênero e muda completamente de personalidade não me convenceu. Ainda termina com a protagonista sendo santificada pela população. Para mim, é um absurdo ter sido indicado — e não tem como estar em outra posição que não a última.
9. O Reformatório Nickel
A proposta é ousada, com a maior parte do filme filmada em primeira pessoa — literalmente o ponto de vista do protagonista. Talvez por falta de costume, isso não me agradou muito. O filme é baseado em um livro de mesmo nome que, por sua vez, é baseado em acontecimentos reais da Escola Dozier para Meninos na Florida na década de 1960 e conta a história de Elwood, jovem negro que vive nesse reformatório e tem que lidar com abuso psicológico, violência física e racismo sistêmico. O filme é parado e sem um enredo muito bem definido. As coisas vão acontecendo de forma quase aleatória, e eu não conseguiu me engajar.
8. Duna: Parte Dois
Visualmente impecável, com uma fotografia e efeitos especiais sensacionais. O elenco é maravilhoso, e a adaptação do livro é bem fiel. É um filme longo, menos “parado” que o primeiro, mas ainda sim exige um certo esforço para assistir, o que definitivamente não é para todo mundo. Eu gostei, mas entendo quem acha cansativo.
7. Wicked
É uma superprodução, um filme lindo de se ver, com atores maravilhosos e visual impecável. Não consigo apontar um defeito objetivo, mas por ser uma história já conhecida, não surpreende. É um filme de conforto para quem gosta de musicais, mas não traz nada de muito novo.
6. Um Completo Desconhecido
Timothée Chalamet está impressionante como Bob Dylan, que inclusive ficou 5 anos tendo aulas de canto e de violão para se preparar para o papel. O filme é divertido, principalmente para quem já conhece as músicas, mas cobre um período muito curto da vida dele (entre 1961 e 1964) e não aprofunda em nada sua vida pessoal. Saí sabendo as mesmas informações que tinha antes de entrar na sessão.
5. A Substância
Um roteiro bem original que faz uma crítica social necessária sobre o prazo de validade das mulheres na indústria do entretenimento. Demi Moore e Margaret Qualley entregam atuações impecáveis, mas o filme tem muitas cenas sensíveis para quem tem aflição de agulhas e ferimentos (o que é o meu caso). O final estraga bastante o filme — se não fosse pelos últimos dez minutos, estaria mais alto no ranking.
4. Anora
Divertido, surpreendente e sem apelar para clichês de comédia americana. A dinâmica entre as personagens são incríveis, os diálogos são muito bem construídos e as cenas caóticas parecem orgânicas e fluidas. O elenco é ótimo, com destaque para Yura Borisov, que merecia mais reconhecimento. Só não está mais alto porque algumas discussões saturam um pouco.
3. Ainda Estou Aqui
O queridinho nacional! Conta a história do desaparecimento de Rubens Paiva durante a ditadura militar e a força de Eunice Paiva para cuidar da família. O filme é emocionante e muito bem produzido, mas não é nada extraordinário. O grande destaque é a atuação de Fernanda Torres que supera todas as expectativas, realmente uma atriz maravilhosa. Recomendo muito que assitam, não apenas esse filme, mas outros filmes nacionais também!
2. O Brutalista
Uma história muito boa e muito bem desenvolvida, uma atuação incrível de Adrian Brody e Felicity Jones, tecnicamente um filme sensacional, ainda mais levando em consideração seu orçamento. Por outro lado é um filme longo, e não apenas isso, um filme que você precisa prestar atenção no que está acontecendo o tempo todo. Ele está em segundo lugar no meu ranking, acima inclusive de Ainda Estou Aqui, então de fato eu achei o filme extraordinário, mas ele é longo e cansativo. Pra mim valeu muito a pena assistir, mas também não tenho vontade de ver de novo.
1. Conclave
Não sou religiosa, mas esse filme realmente me conquistou. Apesar de ser sobre uma conclave – uma especie de eleição para escolher o novo papa – esse filme não é tanto sobre religião quanto aparenta ser. É um filme sobre política, valores, mentalidade e, principalmente, fofoca. O filme te deixa engajado do começo ao fim, com várias pequenas reviravoltas, e com um final surpreendente, talvez não pelo papa eleito, mas por segredos que são revelados ao longo do filme. Com um cenário incrível – réplica da Capela Sistina -, uma fotografia linda – afinal, estamos falando de Roma -, uma trilha sonora envolvente, um figurino a altura do clero e um elenco de peso, não tinha como esperar pouco desse filme. Cheguei sem esperar muito e saí de lá surpreendida, indico esse filme para todos, vale muito a pena e assim que lançar em streaming pretendo vê-lo de novo.
Esse é o meu ranking! Concorda comigo? Qual é o seu favorito para levar o Oscar?
