Indicado a 8 categorias no Oscar, o filme conta a história do início da carreira de Bob Dylan, com o selo de aprovação do próprio, e protagonizado por Timothée Chalamet, que, inclusive, passou por volta de 5 anos aprendendo a cantar e a tocar violão e gaita para interpretar o papel. Além de Dylan, também aparecem outras personalidades da música como Pete Seeger (Edward Norton), Joan Baez (Monica Barbaro), entre outros.
Por sua performance no filme, Chalamet ganhou o Actor — como é chamada a estatueta entregue no SAG Awards — de melhor ator protagonista, se tornando o ator mais jovem a receber o prêmio, com 29 anos, além de ter sido indicado ao Oscar.

Uma produção incrível
O filme é muito bem produzido, com uma fotografia que impressiona e uma qualidade de som sensacional. Chalamet realmente fez um trabalho fantástico, cantou muito bem e tocou violão como um profissional, pelo menos aos olhos de uma leiga como eu. O filme é muito gostoso de assistir, principalmente se você conhece as músicas do Dylan. É muito legal ver a ascenção – tão rápida – dele no mundo da música, e ver como ele lidava com a fama, ou melhor, não lidava. Monica Barbaro como Baez também foi outro grande acerto do filme, ela canta muito bem e sua química com Chalamet é ótima. Também não posso deixar de meniconar Edward Norton como Seeger, que também brilhou muito no papel. Inclusive, Barbaro foi orientada pela própria Joan Baez, que assistiu e elogiou tanto o filme como um todo quanto a performance da atriz.
O filme não conta muito a vida de Bob Dylan
Apesar de ser um filme tecnicamente muito bom e com um elenco maravilhoso, o roteiro podia ser melhor. Eu senti que o filme não se aprofunda muito na vida de Bob Dylan, não fala sobre sua vida antes da fama, sua família, de onde vinham suas inspirações para escrever músicas, nem aborda sua relação com as drogas — que ele já admitiu em entrevistas ter usado. O filme abrange um intervalo muito pequeno de tempo da vida dele, apenas o começo de sua carreira em 1961 até o Newport Folk Festival de 1965, quando ele tocou pela primeira vez “Like a Rolling Stone”, show que causou revolta do público na época, ou seja, são apenas 4 anos da vida dele. Mostra seu crescimento profissional, mas sem explicar muito como isso aconteceu. Não aprofunda nem na relação dele com Joan Baez, com Sylvie Russo (Elle Fanning) nem com Pete Seeger. Isso deixa o filme raso, o que não se espera de um filme biográfico.
O filme Whitney Houston: I Wanna Dance with Somebody, apesar de não ter tido um alcance tão grande e não ter sido muito aceito pela crítica, foi muito bem avaliado pelo público. Ele conseguiu abordar uma quantidade muito maior de momentos da vida de Whitney Houston, aprofundando-se em sua vida pessoal, suas origens, seus relacionamentos, suas questões com a família e seus problemas com as drogas. Eu consegui sentir uma proximidade muito maior com ela do que com Dylan em seu filme. No final do filme dela, senti que tinha aprendido mais sobre sua vida, enquanto, no final do filme dele, saí da sessão sentindo que sabia exatamente as mesmas coisas que sabia no começo.

Um pouco sobre a produção
O filme foi dirigido por James Mangold, diretor de Logan (2017) e Ford vs Ferrari (2019). Já o roteiro foi escrito por Mangold em conjunto com Jay Cocks, com diversos comentários e revisões do próprio Bob Dylan até chegar na versão final. Apesar disso, Dylan afirmou não ter assistido ao filme e não ter intenção de assistir.
Foi uma coprodução de diversos estúdios, entre eles o Searchlight Pictures — uma divisão da Walt Disney Company — que também produziu A Verdadeira Dor (A Real Pain) e a Veritas Entertainment Production, estúdio independente. O filme não teve um orçamento exato divulgado, mas estima-se que tenha custado entre US$ 60 e US$ 75 milhões, orçamento levemente acima da média para esse gênero de filme, mas que, de fato, valeu a pena, pois a produção ficou extraordinária.
As filmagens ocorreram em Nova Jersey e Hoboken — que foram ótimas substitutas para Nova York dos anos 1960 — entre março e junho de 2024, e o filme estreou no dia 10 de dezembro do mesmo ano, evidenciando um período surpreendentemente curto de pós-produção. Além disso, foram usados equipamentos específicos para passar a impressão de filme antigo, como a câmera Sony VENICE 2 digital cinema, que possui uma variedade de formatos de gravação que permitem adicionar esse efeito de anos 60, um dos fatores que reduziu o tempo de pós-produção do filme.
O filme até agora arrecadou US$ 120 milhões de bilheteria mundial, e ainda está em cartaz aqui no Brasil!

Referências
https://www.searchlightpictures.com/a-complete-unknown
https://collider.com/a-complete-unknown-global-box-office-119-million/#:~:text=Directed
https://www.boxofficemojo.com/title/tt11563598/
https://www.fdtimes.com/2025/01/03/a-complete-unknown/
https://sonycine.com/new-ways-to-get-the-old-look/
https://www.vulture.com/article/joan-baez-approves-complete-unknown-monica-barbaro.html
