O novo filme de Paul Thomas Anderson, Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another), conta a história de Bob (Leonardo DiCaprio), um ex-membro de um grupo radical que ajudava mexicanos a cruzar a fronteira do México para os Estados Unidos, e que agora precisa lidar com as consequências de seus atos 16 anos depois, quando o Coronel Lockjaw (Sean Penn), um antigo inimigo, volta para acertar as contas. Quando sua filha, Willa (Chase Infiniti), desaparece, ele é puxado de volta para esse mundo e passa a estar disposto a fazer de tudo para encontrá-la e resolver suas pendências de uma vez por todas.

Um dos melhores filmes de 2025
Não estou falando isso apenas por opinião da crítica ou pela quantidade de prêmios que o filme recebeu. Falo isso porque achei a história muito bem elaborada, pertinente e cheia de temas importantes para os dias de hoje, principalmente no contexto dos Estados Unidos. Os protagonistas lutam por uma causa, mas também são falhos, sem tentar romantizar as situações e mostrando que há muitos lados de uma história.
O começo do filme foca em um grupo de radicais que ataca postos militares na fronteira dos EUA com o México para permitir a entrada ilegal de mexicanos, o que já traz sentimentos conflituosos, pois, apesar de eles estarem fazendo aquilo para libertar mexicanos que estão detidos na fronteira, fazem isso por meio de muita violência e, obviamente, de forma criminosa. Nesse contexto, já conseguimos perceber integrantes do grupo que estão fazendo aquilo por convicção de libertar os detidos, como Bob, e aqueles que sentem prazer e gostam da violência e do caos, caso da Perfídia (Teyana Taylor), uma das líderes do grupo e esposa de Bob.
Chega um momento em que uma operação dá errado, e os militares, sob o comando do Coronel Lockjaw, conseguem prender Perfídia e outros membros do grupo, enquanto Bob consegue fugir com sua filha, Willa, para viver uma vida normal. Dezesseis anos depois, vem o acerto de contas, mostrando como escolhas do passado podem ter grandes consequências a longo prazo. Agora, Bob precisa retomar contato com seus antigos aliados para conseguir salvar sua filha.
Toda essa missão de resgate se passa em uma cidade majoritariamente composta por imigrantes, que passa a ser alvo de militares e da polícia migratória, a mando do Coronel, o que ajuda a intensificar o clima de tensão ao longo do filme.
Uma das coisas que eu mais gostei no filme foi o fato de que Willa não é apenas uma garota indefesa precisando ser salva: ela foi treinada pelo pai e sabe se defender, e Chase Infiniti fez esse papel muito bem. Do outro lado, Leonardo DiCaprio entrega um ótimo trabalho como pai desesperado, disposto a qualquer coisa para recuperar sua filha, que foi sequestrada por Lockjaw. Apesar do clima tenso, que vai escalando com o passar da história, o filme ainda consegue trazer momentos de alívio cômico.
O filme também traz de forma muito forte a pauta do racismo e da “pureza da raça branca”, mas eu não posso entrar em detalhes, senão vou dar muito spoiler. De uma forma geral, o filme toca em tópicos que causam incômodo (e devem causar), mas consegue fazer isso com muita maestria, sem soar panfletário.
Apesar de ser um filme longo, com 2 horas e 42 minutos de duração, é um filme bem agitado e com muita informação, além de ter uma ótima fotografia e uma boa trilha sonora. Está longe de ser um filme tedioso ou difícil de assistir.

Tem uma introdução muito longa
Como descrevi, o começo do filme contextualiza o passado de Bob, sua relação com Perfídia e as motivações do Coronel para suas ações no presente, mostrando os ataques na fronteira. É uma introdução importante, sem dúvida, mas ela dura 40 minutos. Não estou dizendo que seja muito lento ou maçante, pelo contrário, o filme começa com o pé no acelerador, mas, após 40 minutos, você descobre que aquilo era apenas o preâmbulo para o enredo principal, o que acaba ficando um pouco desgastante.
É nesse primeiro trecho que Teyana Taylor tem destaque, praticamente protagonizando essa parte do filme, e a atuação dela é realmente impecável. Ainda assim, é uma personagem que não é protagonista nas outras duas horas de filme, o que me trouxe uma certa frustração, pois, dada toda a ênfase que ela teve no começo, eu esperava mais da personagem no final.
Tem um elenco impressionante
Vou poupar palavras com DiCaprio, que já tem uma carreira amplamente conhecida, cheia de personagens marcantes. Um grande destaque deste filme, para mim, foi Chase Infiniti, já que este foi seu primeiro papel em um longa-metragem, e ela conseguiu entregar uma performance excepcional, sendo, inclusive, indicada a Melhor Atriz na maioria das principais premiações. Também tivemos Teyana Taylor, que, apesar de mais experiente, tem aqui uma grande virada de chave na carreira, finalmente recebendo o reconhecimento que merece.
Por outro lado, temos veteranos como Benicio del Toro, que interpretou o Sensei (meu personagem favorito do filme) e já participou de outros grandes filmes, como Sicário (2015), Star Wars: Os Últimos Jedi (2017) e a franquia Guardiões da Galáxia; e Sean Penn, que já ganhou dois Oscars em sua carreira, por Mystic River (2003) e Milk (2008), e agora está concorrendo ao seu terceiro, por este filme.
Um pouco sobre a produção
O longa, lançado em setembro de 2025, foi escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, que já afirmou estar trabalhando neste roteiro há vinte anos. Anderson tem uma equipe bem sólida e produziu esse filme em conjunto com Adam Somner e Sara Murphy, com Michael Bauman como diretor de fotografia, Florencia Martin como diretora de arte, Andy Jurgensen na edição e Jonny Greenwood na trilha sonora, exatamente a mesma equipe de Licorice Pizza (2021), filme que também teve diversas indicações ao Oscar.
Neste filme, assim como em todos os seus longas, Anderson optou por filmar integralmente em VistaVision, um formato de captação em película criado nos anos 1950. Na prática, ele aproveita o filme 35 mm de uma forma que gera um quadro maior do que o 35 mm tradicional, aumentando a área de imagem registrada no negativo. O resultado é uma imagem com mais resolução e mais detalhe, além da textura da película, com grão, contraste e aquele ar “antigo” que combina com a proposta visual. Essa escolha também permite que o filme seja exibido em salas IMAX, sem que a imagem perca qualidade ou descaracterize a estética analógica.
Gravado entre janeiro e junho de 2024, com um hiato de três meses, o período foi aproveitado para adiantar a edição do filme, e isso acabou servindo de referência para as gravações posteriores. Gravado majoritariamente no estado da Califórnia, teve um custo aproximado de US$ 130 milhões, além de um investimento em marketing de US$ 70 milhões.
Além de ter arrecadado uma bilheteria mundial de quase US$ 210 milhões, a produção tem sido a mais premiada da temporada, acumulando, até o momento, mais de 200 prêmios e mais de 450 indicações, incluindo 13 indicações ao Oscar.
O filme está disponível para assistir na HBO Max e vale muito a pena conferir!

Referências
https://www.warnerbros.com/movies/one-battle-after-another
https://www.onebattleafteranothermovie.com/
https://www.imdb.com/title/tt30144839/
https://www.boxofficemojo.com/title/tt30144839/
https://www.oscars.org/oscars/ceremonies/2026
https://au.variety.com/2025/film/news/one-battle-after-another-leonardo-dicaprio-paul-thomas-anderson-21104/
https://apnews.com/article/4f0e60ad97ef7d519b29dbea9ef48778
https://decider.com/2025/09/25/watch-one-battle-after-another-movie-streaming-netflix-hbo-max/
